
Sobre como se tornar uma super-heróina ou um super-herói
De tudo que eu vi de desenhos animados durante a infância, sei que há uma condição primordial para que alguém seja considerada uma super heroína ou considerado um super-herói: defender o bem. Claro que muitas e muitos possuem poderes supra-humanos, enquanto outras e outros livram a sociedade de criminosos ou salvam vidas. Mas estar do lado de cá dentre os dois definidos pelo maniqueísmo é indispensável.
É certo que todas e todos nós gostamos dessa ideia de "ser do bem". Ainda mais na futura condição de médicas e médicos - a qual é observada como possuidora de enorme responsabilidade - é fácil acreditar, à primeira vista, na nossa aproximação com super-heroínas e super-heróis.
Mas não me parece muito difícil, no entanto, desconstruir essa ideia - apenas o é para aquelas cegas e aqueles cegos crentes. E falo isso baseada num elegante ideal: antes de sermos boas médicas e bons médicos precisamos ser ótimas e ótimos seres-humanos. Com suas ideologias, com suas fragilidades, com suas belezas, com suas covardias, com seus espíritos. O cuidar é mais importante que qualquer interpretar superficial e tolo de situação como heróica, porque se pensa ter salvado uma vida. Reitero: ser gente é mais do que ser médica ou médico. E é preciso ser gente pra cuidar de gente. Sobre isso, infelizmente, a faculdade pouco nos conta.
Ser estudante do curso de medicina da Unicamp não nos torna super-heroínas ou super-heróis, apesar que alguns usem uma capa brilhante no último ano de graduação. Mas ter essa oportunidade privilegiada pode ser revolucionário, na medida em que podemos transformar, aos pouquinhos, tanto o ensino quanto nós mesmas e mesmos em humana/os.
Nossa responsabilidade é também social. Que o deslumbramento com o novo e esse mar de novas possibilidades que a faculdade oferece não nos façam esquecer do mais importante e verdadeiramente encantador. Ser humano.
Sobre as diversas formas de ser Medicina Unicamp
Tudo é muito novo e ser Unicamp é muito mais do que esse efeito imediato da divulgação da lista de aprovados. Ser Unicamp talvez seja pertencer a um lugar e sentir o desejo de construir conhecimento nessa instituição, aproveitar tudo que ela pode proporcionar e veja que não é pouca coisa. Ou então, ser Unicamp seja fazer uma experiência dupla de amadurecimento: entrar em uma das melhores faculdades do país no seu papel de aluno e de cidadão; além de tornar-se responsável pelo seu próprio espaço. Ser Unicamp, na verdade, pode ser sinônimo de muita coisa algo diferente para cada um daqueles que chegam com suas experiências e expectativas, mas no final das contas acredito que seja se formar profissional tendo sempre a convicção de estar caminhando para o sucesso que não pode ser traduzido de outra forma senão, a realização dos seus sonhos... E se for diferente disso, tenha a certeza de que você é capaz de fazer com que seja!
